Vazamento de dados: entenda a questão a fundo
Brasil representa 43% dos dados vazados no mundo
Pesquisas mostram que o vazamento de dados é uma vulnerabilidade grave no Brasil. No ano passado, mais de 112 terabytes (TB) de dados foram expostos no país. Isso representa 43% dos 257 TB registrados globalmente. Além disso, mais de 2,29 bilhões de registros foram expostos. Destes, mais de 800 milhões foram vazados devido a bancos de dados desprotegidos.
Os ataques de ransomware continuam sendo o método mais utilizado em violações bem-sucedidas. No Brasil, eles causaram mais de 52% dos ciberataques, comparado a 35,4% da média global.
Neste artigo, vamos detalhar o que é vazamento de dados e seu impacto nas organizações. Também abordaremos as formas mais eficazes de prevenção e como contornar essas ameaças cibernéticas, entre outras informações importantes sobre o tema.
Definição e impacto do vazamento de dados
Por definição, um vazamento de dados é um incidente de segurança. Ele ocorre quando alguém acessa e exfiltra dados indevidamente, podendo ou não repassá-los a terceiros. Além disso, o vazamento de dados, seja para empresas ou pessoas físicas, expõe vulnerabilidades na segurança da informação, que podem ser exploradas. Consequentemente, a vítima pode se tornar refém de chantagem, extorsão e estelionato, entre outros crimes praticados por quem possui os dados vazados
Gilberto Fernandes, coordenador de Segurança da Informação da Microhard, declara que a vítima sente impotência devido à violação. Além disso, sente fragilidade ao reconhecer a incapacidade de reagir ou prevenir. A vítima também sente insegurança, pois não sabe se o agressor ainda tem acesso às informações. Finalmente, sente incerteza, já que não sabe o que o criminoso fará com os dados vazados.
Além disso, como reforça Fernandes, a vítima fica atordoada, questionando se, mesmo pagando o resgate, o criminoso não divulgará os dados vazados, vendê-los para outros atacantes ou usá-los no futuro para exigir novos pagamentos.
Como são realizadas a invasão e divulgação dos dados?
De acordo com o coordenador de Segurança da Informação da Microhard, os cibercriminosos têm inúmeros meios para vazar dados, dependendo do tipo de ataque. Primeiramente, os ataques direcionados a pessoas específicas geralmente utilizam engenharia social.
O hacker, por exemplo, coleta informações sobre o alvo em redes sociais e outros meios, fornecendo assim subsídios para uma abordagem mais direta. Em ataques a empresas, eles também usam engenharia social para acessar colaboradores, corromper funcionários e obter informações que permitam a invasão do ambiente. Além disso, utilizam soluções de software para enganar os alvos, como no phishing, ou ataques de cross-site scripting em servidores de aplicações web comprometidos e acessados pelos usuários.
O objetivo é sempre coletar informações e credenciais pessoais que permitam acesso externo ao ambiente de uma empresa. Assim que consegue o acesso, o atacante externo coleta informações do endpoint afetado, da rede à qual está conectado e dos outros dispositivos com os quais o endpoint (uma estação ou um servidor) se comunica.
Com o mapeamento da rede atacada, o criminoso roda ferramentas para identificar vulnerabilidades e as reporta ao seu dispositivo, geralmente um servidor Web de Comando e Controle (C&C). Com essas informações em mãos, o invasor implementa seu ataque explorando as vulnerabilidades encontradas. Em seguida, ele exfiltra as informações úteis ou coleta todas elas indiscriminadamente. Além disso, o invasor pode utilizar essas informações para realizar novos ataques ou vendê-las a outros criminosos.
Após transferir esses dados para seu dispositivo hospedado na internet, ele criptografa o máximo possível do ambiente vulnerável atacado. O atacante também exclui as informações sobre suas atividades para impedir sua identificação em uma perícia, explica o técnico da Microhard.
As maneiras mais eficazes de prevenção
As formas mais eficientes de prevenção contra o vazamento de dados envolvem a implementação do maior número de camadas possíveis de segurança para pessoas, processos e tecnologias. Confira-as:
- Para pessoas: conscientização, treinamento contínuo e aculturamento.
- Para processos: mapear e documentar os processos existentes, encontrar suas vulnerabilidades, estabelecer mecanismos de mitigação de risco, criar planos de atuação em caso de concretização do risco (Risk Management, Business Continuity Plan, Disaster Recovery Plan, War Room, Incident Response Plan etc.), frameworks de segurança da informação, Inteligência de Ameaças (busca e detecção proativa de artefatos latentes), entre outros.
- Para tecnologias: proteção de perímetro e aplicações expostas, gestão de identidades – IAM, gestão de acessos privilegiados – PAM, criptografia (dados estáticos e em trânsito), desenvolvimento seguro de aplicações, hardening (com atenção especial para servidores de aplicações Web e Internos), sendo estes apenas alguns pontos de atenção, entre muitos outros.
O que fazer em caso de vazamento de dados?
Em caso de vazamento de dados, é essencial acionar um plano de gestão de crise e disponibilizar uma War Room. A partir dessa sala, os envolvidos devem iniciar os processos para restabelecer as condições do core business. Paralelamente, a equipe de perícia deve diagnosticar a ocorrência, encontrar as causas e preservar provas. Além disso, é necessário detectar os resquícios e a origem do ataque, bem como identificar o que foi vazado, entre outras informações.
“As equipes de administração da rede também estarão atuando, restabelecendo as condições de funcionamento dos ativos, como os servidores e aplicações, restaurando backups, serviços de rede, como impressão, acesso à internet e serviços de e-mail, por exemplo”, elenca Fernandes.
As diretorias devem trabalhar em paralelo, reunidas com equipes de comunicação e marketing internas, jurídico e autoridades, dependendo do caso, para responder a questionamentos e reportar o ocorrido a auditores de seguradoras, caso possua seguro contratado, aos órgãos governamentais e de controle e outros interessados. Elas recebem relatórios dos envolvidos com a gestão da crise para conduzir as suas decisões e acompanhar toda a evolução, enquanto o ambiente vai retornando à operação normal.
Como a LGPD atua contra o vazamento de dados?
A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) estabelece regras claras para a coleta, armazenamento, processamento e transferência de dados pessoais no Brasil. Em caso de roubo ou vazamento de dados pessoais, a lei exige que as empresas notifiquem as autoridades e os titulares dos dados afetados.
A LGPD também estabelece multas para empresas que não protegem adequadamente os dados de seus clientes ou usuários.
As vantagens de contar com um parceiro de cibersegurança
Os benefícios de a empresa ter ao seu lado um parceiro especializado em segurança da informação incluem a capacidade de identificar e mitigar vulnerabilidades de segurança, monitorar continuamente a rede em busca de atividades maliciosas, responder rapidamente a incidentes e manter as políticas de segurança de dados atualizadas.
Além disso, uma empresa especializada em cibersegurança oferece treinamento e conscientização para funcionários, bem como assistência para adequação às regulamentações de segurança de dados, como a LGPD.
A Microhard atua há mais de 30 anos no mercado de segurança da informação e está preparada para ajudar as empresas contra o vazamento de dados e outros diversos incidentes cibernéticos. Fale conosco! Será um prazer atendê-lo(a).




